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TECNOLOGIA, DEFESA E SEGURANÇA


Fonte: DefesaNet em 30/03/2010

Abril, 13/2010

A empresa russa Rosoboronexport continuará no seu pleito pelo direito de participar na licitação no âmbito do Programa F-X2 e fornecer ao Brasil os caças multimissão Sukhoi Su-35. Moscou tem uma certeza absoluta de que o Sukhoi Su-35 é a melhor opção para a FAB. Não se trata, entretanto, apenas da superioridade técnica da aeronave russa sobre os concorrentes. É proposto ao Brasil uma oportunidade única de transferência de tecnologias para a montagem em série desses caças super-modernos por empresas brasileiras.

Superioridade total

Os concorrentes do caça multimissão russo Sukhoi Su-35 são: o Rafale francês, o F/A-18E/F “Super Hornet” norte-americano e o Gripen NG sueco. Quais são, então, as vantagens do Su-35 para a conquista da superioridade aérea e atacar alvos terrestres ou navais, independente da hora, do dia ou das condições meteorológicas?

Além de ser o mais veloz de todos (2.400 km/h à altitude de 11 km), o Su-35 possui a maior relação empuxo/peso. O seu raio de ação é impressionante, com 3.600 km atende perfeitamente às necessidades do Brasil, levando em consideração o tamanho do seu território e a extensão das fronteiras terrestres e navais do país.

Ademais, o Su-35 tem uma eficiência operacional mais alta que a dos seus concorrentes. O caça é capaz de carregar mais de 8 toneladas de diversas armas em 12 pontos sob as asas ou fuselagem, número maior do que os outros participantes da licitação. A aeronave é propulsionada por dois sofisticados motores 117C de empuxo vetorado, uma versão avançada do famoso AL-31F. Os motores são dotados de novos compressores, turbinas de alta e baixa pressão, sistema de controle digital. O empuxo dos dois motores foi aumentado para 29.000 kg, sendo igualmente aperfeiçoados certos indicadores de vida útil. Estas inovações associadas às excelentes qualidades aerodinâmicas proporcionam ao Su-35 sua conhecida supermanobrabilidade, invejável para outros caças, garantindo uma grande vantagem no combate aéreo.

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A cabine de piloto apresenta novas soluções ergonômicas, sendo introduzidos novos meios de apresentação das informações segundo o princípio da cabine de vidro (Glass Cockpit), o que facilita o trabalho do piloto, permitindo a sua concentração máxima no cumprimento das missões de combate. Uma outra particularidade importante da aeronave são os seus aviônicos integrados ao sistema de informação operacional e ao controle digital responsável pela integração dos equipamentos embarcados. O radar de varredura eletrônica ativa, conhecido por sua sigla inglesa AESA (Active Electronically Scanned Array), quando comparado com os similares dos concorrentes, apresenta 1,5-2 vezes mais eficiência no alcance de detecção dos alvos aéreos e navais (até 400 km) e também superior em outras características técnicas. O radar é capaz de rastrear até 30 alvos aéreos simultaneamente, além de poder atacar 8 destes simultaneamente.

Os novos sistemas integram os equipamentos de rádio e navegação avançados, sistemas de operação dos caças em grupo e um sistema altamente eficiente de contramedidas eletrônicas. Cabe dar um destaque especial a que no Su-35 são empregadas as tecnologias de quinta geração, sendo deste modo garantida a superioridade sobre os caças concorrentes da mesma classe em toda uma série de aspectos técnicos e operacionais.

Convém notar que as características supracitadas permitem economizar recursos financeiros importantes. Primeiro, quanto maior for o raio de ação da aeronave, tanto menor será o número de Bases Aéreas a serem usadas no território do país. Segundo, quanto mais alta for a eficiência operacional de cada aeronave, tanto menor será o número de caças necessários para o cumprimento das missões atribuídas.

Ao parceiro estratégico – as melhores tecnologias

Segundo os peritos, a proposta da Rosoboronexport atende aos requisitos da licitação não só do ponto de vista técnico. Recentemente, no Brasil foi aprovada uma nova doutrina militar, a Estratégia Nacional de Defesa, conforme a qual a aquisição de novos sistemas de armamento obrigatoriamente requer a transferência simultânea de tecnologias, permitindo às empresas brasileiras, independentemente de outros países, procederem com garantia a manutenção e revisões de todos os níveis de complexidade, assim como a produção do armamento e material bélico ou dos seus componentes. Este requisito consta da documentação da licitação relativa ao Programa F-X2. Mais ainda, o volume e a profundidade das tecnologias transferidas são especificados como fatores decisivos.

Dado isso, em abril de 2009, foi entregue ao Ministério da Defesa brasileiro a Proposta Revisada integrando um extenso programa de transferência de tecnologias que prevê um ciclo completo de manutenção técnica, revisões, ou mesmo, a produção dos Su-35 no Brasil.

Convém notar que a amplitude da implantação deste programa pode ser limitada exclusivamente pela capacidade econômica ou tecnológica das empresas brasileiras. Mas, o mais importante é que Su-35 tem muitas das tecnologias de quinta geração, é de duvidar que o Brasil as receba dos Estados Unidos, que participam na licitação com um caça da geração mais antiga, ou da França ou da Suécia que não possuem tais tecnologias.

As negociações levadas a efeito evidenciaram que, mesmo hoje, se pode contar com a parceria das empresas brasileiras no equipamento do Su-35 com os aviônicos embarcados, integrados com os sistemas atuais e futuros das aeronaves da FAB (avionicos, sistemas de comunicações, sensores embarcados, computadores, etc.), assim como na integração do armamento aéreo de produção brasileira, inclusive mísseis e foguetes, que possibilite o seu emprego operacional no Su-35.

Uma vantagem incontestável da proposta da Rosoboronexport frente aos concorrentes é que somente a Rússia tem uma experiência real de transferência de tecnologias de produção de caças a outros países. Para a China foram transferidas as tecnologias relativas aos caças Su-27, à Índia - aos caças Su-30. Hoje, estão sendo implementados no Brasil os programas análogos no âmbito do projeto de fornecimento de helicópteros russos à FAB. Esta experiência verdadeiramente valiosa, com certeza, será aproveitada em caso do fornecimento dos Su-35.

A Rússia e o Brasil são parceiros estratégicos. Os Presidentes dos dois países declararam-no reiteradamente. Portanto, o projeto de fornecimento dos Su-35 poderia vir a ser uma etapa qualitativamente nova no desenvolvimento das relações russo-brasileiras, contribuindo para a ampliação e consolidação da cooperação técnico-militar. O Su-35 é um caça único e um dos melhores entre atualmente existentes, inclusive segundo o critério custo-eficiência. O Ministério da Defesa da Rússia já celebrou o contrato de fornecimento para a Força Aérea russa de 48 destas aeronaves que nos próximos quatro anos irão equipar as unidades aéreas. Talvez, a FAB seja a seguinte?

Uma referencia:

A Empresa Federal Estatal Unitária Rosoboronexport – é única na Rússia que está fornecendo toda a variedade de Material de Emprego Militar, Serviços e Tecnologias de Uso Militar e Uso Dual.Representando de fato o Governo da Federação Russa , está celebrando todo suporte governamental. A Rosoboronexport é uma das maiores empresas no mercado mundial de armamentos, com mais que 80 per cento do volume da exportação total de armamentos e equipamentos militares da Rússia. Tem relações de cooperação com mais de 70 paises do Mundo.


Boeing e Saab acirram guerra de lobby

Fonte: O Estado de S. Paulo

Via: NOTIMP

Jan, 21/10

Objetivo de ofensiva é impedir que o governo brasileiro confirme escolha do caça Rafale, da francesa Dassault

Denise Chrispim Marin, Eugênia Lopes

A fabricante americana de aviões Boeing e a sueca Saab iniciaram uma ofensiva para impedir que o governo brasileiro escolha o caça Rafale, da francesa Dassault, na concorrência da Força Aérea Brasileira (FAB) para a compra de 36 aeronaves. Em pleno lobby, a Boeing reiterou sua última oferta de venda do F-18 Super Hornet, de dezembro, que prevê a inclusão da Embraer no desenvolvimento da próxima geração do jato.

A sueca Saab reforçou os critérios que colocaram o Gripen NG no topo da avaliação da Aeronáutica ? preço baixo e tecnologia a ser desenvolvida com a Embraer.

Sem data marcada, o governo promete anunciar em breve sua decisão. Questionado sobre essa nova batalha de lobbies, um colaborador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que essas iniciativas não mudam o jogo e os critérios de escolha não serão alterados. A vitória da Dassault, para esse assessor de Lula, está cimentada.

Gerente sênior de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Divisão de Aeronaves Militares da Boeing, Michael Coggins anunciou na terça-feira que o governo americano liberou a transferência de tecnologia e até dos códigos informáticos para armar os caças com mísseis brasileiros, e insistiu que nada impedirá a futura fabricação dessas aeronaves no Brasil. "Nós oferecemos à Embraer e à FAB a opção de produzir os Super Hornet no Brasil", afirmou.

Coggins admitiu que há um sério problema de confiança do Brasil em relação à oferta americana. Mas mostrou-se otimista com as gestões do novo embaixador dos EUA em Brasília, Thomas Shannon, a partir de 4 de fevereiro, e nas respostas aos três lobbies diretos do presidente Barack Obama junto a Lula. O mesmo colaborador de Lula rebateu essa versão. "Nenhum compromisso do governo americano impede um eventual veto do seu Congresso."

A Saab não poupa esforços para convencer o governo de que seu projeto é superior e rebater as críticas de que o Gripen NG existe apenas no papel. "O Gripen é o melhor não só pela tecnologia, como também pelo conceito e preço", afirmou Bob Kemp, vice-presidente da Saab. "O avião já existe", emendou Bengt Jáner, representante da Saab no Brasil.

Eles explicaram que o Gripen NG tem base num caça em operação, o Gripen C, vendido para quatro países. Existe hoje uma espécie de protótipo do Gripen NG, já testado por pilotos da FAB.

A Saab também apresentou à Marinha brasileira o projeto do Gripen Naval para o porta-aviões São Paulo. A expectativa é que, em uma década, os 12 caças da Marinha em operação sejam substituídos.


Boeing melhora proposta para vender seu caça

Fonte: Valor Econômico

Cristiano Romero

Via: NOTIMP

Jan, 21/10

Em clara desvantagem política na disputa pelo fornecimento de caças ao Brasil, a Boeing decidiu melhorar sua proposta ao governo brasileiro. Sem fazer alarde, a empresa americana apresentou à Força Aérea Brasileira (FAB), no dia 9 de dezembro, oferta para que uma nova geração de caças seja desenvolvida em conjunto com o Brasil. Além disso, comprometeu-se a adotar, no contrato de venda dos aviões, "penalidades severas" caso não haja transferência de tecnologia.

A nova proposta é parte de uma ofensiva agressiva da maior fabricante mundial de jatos comerciais e militares, mas vai além de seus interesses corporativos. Ela envolve o governo americano. Nos últimos meses, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou três vezes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a concorrência dos caças. As informações foram prestadas na noite de terça-feira, em Brasília, por Michael Coggins, gerente da campanha da Boeing para a venda do caça Super Hornet ao Brasil, uma disputa que envolve o caça francês Rafale e o sueco Gripen NG.

Segundo Coggins, fazem parte do pacote oferecido pela Boeing a participação de indústrias brasileiras no fornecimento de insumos e a possibilidade de que grupos de 50 engenheiros da Embraer participem, anualmente, dos trabalhos de desenvolvimento da nova geração de caças americanos. O executivo assegurou que, com a venda do Super Hornet ao Brasil, haverá transferência de tecnologia. Ele reconheceu, no entanto, as dificuldades políticas que a Boeing está enfrentando nessa concorrência.

"O maior desafio da Boeing não é a transferência de tecnologia. O governo dos EUA autorizou uma transferência como nunca havia feito antes a nenhum país", afirmou Coggins num jantar com um grupo de jornalistas. Ele explicou que a maior dificuldade do negócio diz respeito à confiança do governo brasileiro na disposição do governo americano em atender a certas exigências, como liberdade de negociação com terceiros países. "Houve problemas com os militares brasileiros nos últimos 30 anos. Os EUA não vendiam armas para a América do Sul", disse Coggins, assegurando que a postura do governo americano mudou.

É grande a resistência do governo brasileiro a um acordo com os americanos. Procurado pelo Valor, um ministro próximo do presidente Lula disse que a proposta da Boeing de oferecer uma cláusula no contrato com previsão de penalidades, no caso de descumprimento do acordo de transferência de tecnologia, é uma prova de fragilidade. "Com essa cláusula, se amanhã o Departamento de Estado decidir vetar o acordo, eles pagam a multa e fica por isso mesmo", disse o auxiliar de Lula.

O ministro menciona o veto americano à venda de aviões Super Tucanos, fabricados pela Embraer, à Venezuela, como um exemplo da difícil relação com os EUA na área militar. Os americanos aplicaram o veto, valendo-se do fato de que o sistema de radar dos Super Tucanos é fabricado pelos EUA e que, portanto, a venda a terceiros países depende de autorização de Washington. "Nossa experiência com os americanos é desastrosa. Vai levar tempo para ter uma nova relação", afiançou um assessor direto de Lula.

Segundo esse ministro, o avião da Boeing é "muito bom", mas os outros caças também satisfazem as necessidades da FAB. A decisão do governo Lula, explicou, levará em consideração interesses "geopolíticos". A tendência, de acordo com essa fonte, é o presidente escolher o Rafale, da francesa Dassault, apesar da preferência técnica da Aeronáutica pelo Gripen NG, da sueca SAAB. "O relatório da FAB com preferência pelo Gripen deve ajudar a reduzir o preço do caça francês", observou o ministro, informando que o presidente Lula deve tomar uma decisão dentro de 90 dias.

Na conversa com jornalistas brasileiros, Michael Coggins criticou os concorrentes e questionou a importância de uma aliança estratégica do Brasil com a Suécia ou a França. Ele lembrou que as Forças Armadas brasileiras já têm parceria com os franceses e que um novo contrato não acrescentaria nada. "Onde estão os aspectos estratégicos de uma nova parceria com a França?", indagou. "Os EUA têm o melhor processo logístico do mundo e as forças armadas mais fortes. Politicamente, o benefício de uma parceria com os EUA é maior."

Segundo Coggins, os suecos estão seis anos atrasados no desenvolvimento do Gripen NG. "O programa de desenvolvimento (do avião sueco) foi um desastre", afirmou. O desenvolvimento do Rafale também estaria atrasado, assim como os franceses, disse ele, estão atrasados em relação ao programa de construção do submarino nuclear brasileiro. O executivo da Boeing alegou, ainda, que o Super Hornet sairá a um preço 40% mais baixo que o dos franceses. "A Boeing entregará os aviões no prazo (em 2014)", assegurou.

Comentário: 1-  06/ fev. 2010 11:18h

Gostaria de elogiar a iniciativa deste site. As informações aqui contidas são muito esclarecedoras e úteis. Tomara que outros sites com um nível excelente como este possam ser criados e melhor ainda, possam despertar o civismo e patriotismo de nosso povo. Sites como este, reiteram e explicitam a real necessidade e importância de nossas FA's.

Obrigado e muito sucesso.

Myller

Caça francês Rafale é ‘grande mico’, afirma analista

FONTE: eBand

Via: Notimp

Jan, 18/10

O Sueco Gripen, “O F-18 e o Rafale são artigos de prateleira, não tem o que projetar”

O caça francês Rafale, o preferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para renovar a frota da Força Aérea Brasileira (FAB), é um “grande mico”, o pior disparado entre os concorrentes, na opinião de Fernando Arbache, presidente da Arbache Consultoria, doutor em Inteligência de Mercado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

De acordo com o professor, o Rafale, produzido pela Dassault, é mais caro, não oferece a possibilidade de desenvolvimento conjunto de projeto com o Brasil, e a França não pretende fornecer os códigos-fonte e o sistema de integração entre a aeronave e armas, o que deixaria a FAB totalmente dependente da França. Arbache diz ainda que, caso o Brasil passasse a fabricá-lo e quisesse vender a outros países, também poderia enfrentar o veto francês.

“[A França] quer que a gente engula uma aeronave por um preço acima do preço adquirido pela Força Aérea francesa. É um grande erro, um mico, o Rafale. É o pior de todos, em todos os níveis”, disse o analista, em entrevista ao eBand.

Para Arbache, o Brasil deve comprar o Gripen NG, da sueca Saab. O professor concorda com o relatório da FAB sobre os caças, que apresenta o avião sueco como a melhor opção. Em segundo vem o F-18 Super Hornet, da americana Boeing, e por último, o Rafale.

Ainda um projeto, o Gripen NG seria desenvolvido em parceria com o Brasil. A aeronave atende às necessidades da FAB, é muito mais barata e se adequa às demandas e orçamentos de diversas forças aéreas do mundo. É também a melhor opção em termos de estratégia e política, segundo Arbache.

“Exportação, melhoria do parque tecnológico, enfim, tem vários elementos que o Gripen vai trazer para nós. Em segundo lugar, seria o [americano F-18 Super] Hornet, e, por último, mas bem distante, seria o Rafale, o pior candidato disparado”, afirma.

Leia a íntegra da entrevista:

eBand - A decisão deve ser guiada por critérios político-estratégicos, ou pelos aspectos técnico-operacionais e a relação custo/benefício?

Fernando Arbache – Há que se fazer uma mistura. Tem que juntar a parte técnica com a política e estratégica. Ambos são de extrema importância. O primeiro parâmetro é o técnico, para fazer a classificação de quem não tem a mínima capacidade técnica necessária. Então você pega os finalistas e faz uma análise criteriosa em termos de estratégia e política.

Não está sendo feito dessa forma, multicriteriosa, não se está tomando a base técnica como primeiro elemento de tomada de decisão.

eBand  Seguindo essa forma de seleção, qual deveria ser escolhido?

Arbache – Fiz uma análise profunda dos três caças e concordo em número gênero e grau com a Força Aérea. Eu escolheria o primeiro, o Gripen, que é o caça que mais se adequa às necessidades brasileiras em termos de política, estratégia, sofisticação de armamentos, e principalmente, de custo.

Há uma série de benefícios que podemos ganhar com a utilização do Gripen. Exportação, melhoria do parque tecnológico, enfim, tem vários elementos que o Gripen vai trazer para nós. Em segundo lugar, seria o Hornet, e, por último, mas bem distante, seria o Rafale, o pior candidato disparado.

eBand  Quais seriam os aspectos políticos positivos de um negócio com os suecos?

Arbache – O ponto mais importante é que você teria uma diversificação de fornecedores. Estamos trabalhando com o conceito de geopolítica. No momento em que você trabalha com poucos fornecedores, cria uma dependência muito grande. E para o Brasil, que é uma pretensa grande potência econômica, ele tem de buscar diversificação, principalmente de armamento bélico – para ele poder ter capacidade de dissuasão na hora certa sem precisar da autorização de um determinado país.

Porque quando eu vou atacar um país, eu tenho de acatar, às vezes, as decisões do país que me forneceu o armamento, senão ele corta a linha de fornecimento. Por isso é muito importante a diversificação de fornecedores na área bélica.

eBand  Ao menos em dois casos – na Guerra dos Seis Dias e na Guerra das Malvinas – a França deixou clientes de seus equipamentos bélicos na mão.

Arbache – Totalmente na mão.

eBand  Corremos esse risco?

Arbache – Totalmente. Historicamente, em geral, ela acaba não cumprindo com o que promete – temos diversos momentos históricos em que podemos comprovar. Inclusive, a França teve vários conflitos com o Brasil.

Um dos mais recentes foi a Guerra das Lagostas, quando o general Charles de Gaulle disse que o Brasil não é um país sério. Então, eu não acredito que os franceses possam apoiar o Brasil como eles falam.

eBand  Sobre os caças suecos, levanta-se a questão de que há muitos componentes americanos. Isso poderia ser um empecilho, uma vez que, se o Brasil passasse a fabricá-lo, poderia enfrentar o controle americano sobre suas vendas?

Arbache – Não tenha dúvida. Se passarmos a fabricar o caça sueco, ficaremos com uma certa restrição do Pentágono. Só que tem um detalhe: isso vai ficar para uma parte do avião que podemos, inclusive, desenvolver. Se nós temos o projeto e todos os códigos-fonte, conseguimos desenvolver ou buscar alternativas, como Israel fez, como vários países já fizeram.

No caso da França, 100% da aeronave é francesa. Então, se a França falar “não”, é não para tudo. Se os EUA falarem “não”, é “não” para uma parte. Temos de pensar o seguinte: o caça sueco ainda nos dá um conceito básico que pode ser usado com diferentes fornecedores.

eBand  Então esse é o ponto negativo no negócio com os suecos, mas que seria contornável.

Arbache – Contornável. Por exemplo, o motor turbofan é GE [General Eletric, americana]. Se o Brasil quiser, pode buscar um turbofan francês, russo, que eu sei como integrar o aparelho ao produto. Eu posso buscar um turbofan Rolls Royce, inglês. Existem outras alternativas que não sejam necessariamente dos EUA para que eu possa fugir dessa regra.

No caso francês, como tudo é francês, se ele disser “não”, acabou. E ele também não vai dispor, por exemplo, o sistema de integração entre armas e aeronave. Se ele não dispõe isso, não conseguimos desenvolver outras armas para o Rafale, elas têm de ser francesas. Isso é um grande mico para nós.

eBand  E como o senhor analisa o fato de ele ser apenas um projeto? É negativo, ou é uma vantagem poder desenvolver em parceria.

Arbache – Essa é a maior vantagem. Porque o F-18 e o Rafale são artigos de prateleira, não tem o que projetar. Então não faria nem sentido dizer “vou te dar uma parte para você projetar”. Já o Gripen é um projeto que terminará de ser desenvolvido com o Brasil.

Um exemplo clássico: o maior sucesso da aeronáutica brasileira, o RJ 145, que foi o produto que gerou o Legacy e o EMB 170/190/195. Essas aeronaves só foram projetadas porque o Brasil fez com a Alenia e Aeroitália o projeto AMX. Então ele criou capacidade de projeto – só teve esse sucesso porque fez uma parceria onde ele pudesse desenvolver o projeto. Qual vai ser o nosso desenvolvimento se comprarmos o Rafale ou o F-18? Nenhum.

Não desenvolveremos absolutamente nada. Então o fato de ele ainda estar no papel é a maior vantagem que nós temos.

Temos que pensar como uma nação grande agora. Não quero um produto pronto. Quero desenvolver um produto para ter minha soberania. Esse deve ser o raciocínio do Brasil.

eBand  Então, a aeronave que atende melhor as necessidades da FAB é o Gripen?

Arbache – Sem dúvida. Em relação a preço, custo de manutenção, operacional, enfim, vários outros critérios que trazem principalmente o seguinte: é a aeronave que mais se adequa no orçamento de diversas forças aéreas. Então eu posso ainda me tornar, como país, exportador de uma aeronave de última geração. O Rafale, por exemplo, foi rejeitado por diversas forças aéreas.

eBand  Nenhum país usa o Rafale. O negócio representaria a sobrevivência do modelo e daria fôlego à Dassault. Podemos esperar uma contrapartida da França?

Arbache – Eu não acredito que a França vá dar uma contrapartida a mais do que ela promete. Ela vendeu o projeto dos submarinos, vendeu três usinas nucleares, que foi assinado às escuras, está concorrendo com o trem bala. Ela já está levando uma vantagem enorme.

Então o que, efetivamente, a França está nos dando em contrapartida? Nem ceder os códigos-fonte ela quer, nem baixar o preço. Ela quer que a gente engula uma aeronave por um preço acima do preço adquirido pela Força Aérea francesa. É um grande erro, um mico, o Rafale. É o pior de todos, em todos os níveis.

eBand  O relatório da FAB pode servir de instrumento de pressão para os franceses baixarem o preço?

Arbache – O relatório da FAB nitidamente rejeita completamente o Rafale. Ele pode ser utilizado sim pelo governo brasileiro como forma de pressionar pela redução do preço.

eBand  Então caso o Brasil decida pelo Rafale será uma decisão totalmente política?

Arbache – 100% política, não tenha dúvida.


Analistas comparam aspectos técnicos de caças na lista do Brasil

Fonte: BBC Brasil

Via: Plano Brasil

Jan, 12/10

Três tipos de caça disputam a preferência do governo brasileiro para estar entre as aeronaves de combate da Força Aérea. O objetivo desse processo de renovação é a compra imediata de 36 jatos. Nos próximos anos, o país deve aumentar as compras para chegar até 120 unidades.

Os modelos que continuam no páreo são: o Rafale, produzido pela francesa Dassault; o sueco Gripen NG, cuja fabricante é a Saab; e finalmente o FA-18 Super Hornet, da americana Boeing.

FA-18  Super Hornet

A BBC Brasil ouviu analistas para entender melhor as vantagens e desvantagens dos três modelos.

O reitor do Royal Air Force College (Faculdade da Força Aérea britânica), Joel Hayward, e o analista de aviação da consultoria Jane’s, Craig Caffrey, acreditam que as três aeronaves têm capacidades similares.

Mas Hayward vê no Rafale a melhor aeronave para defender os céus brasileiros, enquanto Caffrey crê que o Gripen pode oferecer a melhor oportunidade de desenvolvimento da indústria aeroespacial do país.

Performance e poderio bélico

Segundo os especialistas ouvidos, os três modelos são bastante parecidos.

“Nenhum dos três caças tem alguma grande vantagem de desempenho em relação aos demais”, diz Caffrey. O Rafale e o FA-18 voam a uma velocidade máxima de 2 mil quilômetros por hora, enquanto o Gripen chega a 1500. Todos os três superam os 3 mil quilômetros de autonomia.

No quesito capacidade de carga bélica (mísseis e bombas que podem carregar), todos são semelhantes também. “Os três caças portam bombas de precisão guiada e avançados mísseis para atingir alvos no ar”, explica Caffrey.

Mas o Gripen tem uma vantagem e uma desvantagem nesse quesito. Por ser o menor, o caça sueco pode transportar 6,5 toneladas desse tipo de material, enquanto o francês leva oito e o americano 9,5 toneladas. “Porém ele está sendo desenvolvido para portar uma maior variedade de armamentos do que os outros dois”, diz Caffrey.

O fato de o sueco ter apenas um motor contra dois dos concorrentes é visto com reticência por alguns pilotos. Mas Caffrey explica que os motores modernos são extremamente confiáveis. “A Força Aérea Sueca opera a primeira geração do Gripen desde 1997 e estou certo de que eles nunca perderam um caça por causa de problemas no motor”, comenta o analista.

Joel Hayward concorda, dizendo que os monomotores são tão confiáveis quanto os demais. Para o reitor do Royal Air Force College, o que realmente deve pesar nessa questão de performance é a função que o caça irá desempenhar.

“Se o objetivo primordial do governo brasileiro é patrulhar a faixa de mar do pré-sal e a Amazônia, ou seja, lidar com alvos no solo, qualquer uma das três aeronaves é perfeitamente capaz. Mas se o país quer estar preparado para se defender de ataques aéreos de outras nações sul-americanas, o modelo francês é certamente o mais adequado”, diz Hayward.

O reitor explica que o Rafale tem maior agilidade nas manobras e seus avionics (conjunto de instrumentos de pilotagem e combate) são os mais avançados.

Gripen NG

Transferência de tecnologia

O Brasil colocou a transferência de tecnologia como critério essencial nessa negociação. Hayward explica a importância desse aspecto:

“É como quando você compra um computador. Se você não domina os códigos-fonte do processador, será sempre dependente dos avanços que o fabricante conseguir, o que certamente terá um custo alto. Mas se você tem os códigos, pode desenvolver o equipamento por sua própria conta”.

Todos os três fabricantes prometem transferir integralmente a tecnologia. Mas na prática pode não ser bem assim. “É muito comum que na hora de vender o produto, as empresas prometam transferir completamente a tecnologia de seus caças. No entanto, depois do contrato assinado, muitas vezes as coisas não transcorrem tão bem”, comenta Hayward. Por isso ele crê que a boa relação diplomática entre Brasil e França deve pesar, já que ela pode garantir o cumprimento do contrato.

Os especialistas avisam que também é preciso considerar o grau de desenvolvimento atual de cada aeronave, pois isso indica o quanto o modelo ainda poderá ser explorado pelo Brasil.

Para Caffrey, o FA-18 talvez ofereça a maior garantia de desenvolvimento, porque a Marinha americana ainda vai utilizá-lo por muitos anos e, portanto, investir nele. Quanto ao Gripen NG, que é a nova geração do Gripen original, é o que promete o maior desenvolvimento tecnológico futuro por ser o mais novo.

“Se o Gripen for o escolhido, então o Brasil poderia se tornar um parceiro nos estágios finais do programa de desenvolvimento do caça. Nenhum dos demais concorrentes pode oferecer esse grau de envolvimento”, diz Caffrey. Mas Hayward observa que, ao contrário dos rivais, essa nova geração do Gripen ainda não foi testada em combate.

Rafale

Preço

Um último fator que também pode ser decisivo é o custo das aeronaves. O pacote completo do Gripen deve sair por R$ 5 bilhões, enquanto o do FA-18 custaria R$ 8 bilhões e o do Rafale por R$ 10 bilhões. Além disso, o custo operacional de cada aeronave também varia. Cada hora de vôo do modelo sueco custa US$ 4 mil, incluindo combustível e manutenção, enquanto para os demais esse valor chegaria a US$ 14 mil.

“Supondo uma transferência total de tecnologia e preços semelhantes para os três, eu ficaria com o Rafale da França por ser o melhor caça. Mas se houver realmente uma diferença brutal de preço, aí eu poderia mudar de idéia, pois com os mesmos recursos o Brasil compraria muito mais aeronaves”, completa Hayward.

Essa pode ter sido a interpretação da FAB. Em um extenso relatório, a Aeronáutica classificou o Gripen como a melhor opção, levando em conta a performance, o preço e o potencial de transferência de tecnologia.

O poder executivo brasileiro, porém, já havia declarado em setembro do ano passado que o Rafale é o favorito, principalmente porque Brasil e França assinaram uma parceria estratégica no setor militar. Por se tratar de um assunto de segurança nacional, quem dará a palavra final é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Gripen NG visto por tráz

Segundo a folha, FAB prefere caça sueco a francês

Fonte: Folha

Via: Plano Brasil

ELIANE CANTANHÊDE

Jan, 05/10

Folha Online — O caça francês Rafale, da empresa Dassault, ficou em terceiro e último lugar no relatório técnico que a Aeronáutica entregou ao ministro Nelson Jobim (Defesa) sobre o projeto de compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira. O Gripen NG, da sueca Saab, foi o mais bem avaliado, e o F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, ficou em segundo, informa a reportagem da colunista Eliane Cantanhêde, da Folha.

O resultado tende a gerar constrangimentos no governo e mais atrasos para a decisão sobre o projeto ao contrapor a avaliação técnica da Aeronáutica à preferência política do presidente Lula e da área diplomática pelos franceses. A decisão pró-Rafale chegou a ser anunciada em nota oficial, em setembro; o governo recuou após repercussão negativa na FAB e entre concorrentes.

O Planalto pode ignorar o relatório e ficar com o Rafale ou desagradar à França e optar pelo Gripen NG. Formalmente, Lula pode escolher qualquer um dos três.

De acordo com a reportagem, o “sumário executivo” do relatório da FAB, com as conclusões finais das mais de 30 mil páginas de dados, apontou o fator financeiro como decisivo para a classificação do caça sueco: o Gripen NG, até por ser monomotor e ainda em fase de projeto (se baseia no Gripen atual, uma versão inferior em performance), é o mais barato dos três concorrentes finais.

Programa FX 2 - Escolha do novo avião de combate para a FAB.

Complemento: Poder Aéreo

Conforme a Folha apurou, o “sumário executivo” do relatório da FAB, com as conclusões finais das mais de 30 mil páginas de dados, apontou o fator financeiro como decisivo para a classificação do caça sueco: o Gripen NG, até por ser monomotor e ainda em fase de projeto (se baseia no Gripen atual, uma versão inferior em performance), é o mais barato dos três concorrentes finais.

A diferença de valores é tanto no quesito preço do produto como no custo de manutenção. A Saab diz que ofereceu o Gripen pela metade do preço do Rafale, ou seja, algo na casa dos US$ 70 milhões. Afirma que a hora-voo de seu avião é quatro vezes menor do que a do francês, o que a Dassault rejeita: como o Rafale tem duas turbinas, é mais caro de operar, mas teria melhor performance.

Quem vai arcar com todos esses custos, durante os cerca de 30 anos de vida útil do jato, é a FAB, que considera a questão prioritária.

Pesou também o compromisso de transferência de tecnologia. O Gripen NG é um projeto em desenvolvimento que oferece em tese mais acesso a tecnologias para empresas futuramente parceiras, como a Embraer. Há a promessa genérica de produção final no Brasil, mas de resto o Rafale também diz isso. O problema é que o francês é um produto pronto, supostamente com menor taxa de transferência de conhecimento de produção.

O relatório da FAB não considerou como negativo o fato de o jato sueco ser monomotor, já que em aviões modernos isso é visto com um problema menor na incidência de acidentes.

Gripen nas cores da FAB

Já o Rafale apresentou três obstáculos, na análise da FAB:

1) Continuou com valores considerados proibitivos, ao contrário do que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, havia prometido a Lula.

2) O prometido repasse de tecnologia foi considerado muito aquém da ambição Brasileira. Trata-se de um “produto pronto”, que teria, ou terá, dificuldades para ser vendido a outros países a partir do Brasil.

3) A Embraer, consultada pela Aeronáutica, declarou que, se fosse o Rafale, não teria interesse em participar do projeto, pois lucraria muito pouco em tecnologia e em negócios.

O relatório foi feito pela Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronaves de Combate) e ratificado pelo Alto Comando da Aeronáutica no dia 18 de dezembro.

Jobim voltou ontem à noite a Brasília pronto para se reunir com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. Oficialmente, para ganhar tempo, a versão do governo é que a FAB ainda não lhe entregou o documento.

O ministro já sabe do resultado desde uma viagem que fez com Saito à China e à Ucrânia, no final do ano. Os dois aproveitaram uma escala justamente em Paris para discutir a questão com o presidente da Copac, brigadeiro Dirceu Tondolo Noro, que, conforme a Folha apurou, foi chamado de última hora a viajar à capital francesa para encontrá-los.

É uma das grandes compras em curso no mundo, e pode bater os R$ 10 bilhões.

Em entrevista à Folha em dezembro, Jobim admitiu que tinha interferido para mudar as regras do relatório da Copac, mas sem assumir que a intenção era evitar que a FAB indicasse um favorito que não batesse com o do Planalto.

COMPLEMENTO: ouça o podcast “2010 começa com dois abacaxis militares para Lula” com análise da jornalista que assina a matéria, na Folha Online, clicando aqui. O Portal G1, comentando a reportagem da Folha de São Paulo, acrescentou que “a assessoria do ministério da Defesa disse ao G1 que Jobim só tratará do tema na próxima semana, quando retorna de férias. O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica afirmou que a FAB só se manifestará oficialmente junto com o ministério. Apesar da questão técnica, a decisão final cabe ao presidente Lula. Ele pode ignorar a preferência da FAB e escolher qualquer um dos três modelos que seguem na concorrência. A tendência é que o escolhido seja anunciado no início deste ano.” (clique aqui para acessar matéria do G1)

NOTA DO EDITOR: Como dissemos no editorial “F-X2: surpresas em janeiro de 2010?“, a demora na decisão final do F-X2 indicava que havia diferença nas escolhas do Governo e da FAB. O Poder Aéreo, que tem acesso a algumas fontes importantes, também sabia que o F/A-18E/F teria alcançado melhor posição que o Rafale, por isso o título do editorial. Agora é esperar a martelada (ou não) do presidente.


FX 2: Detalhes do Programa Sea Gripen

Artigo de autoria do Site Alide, Escrito por Felipe Salles

Sugerimos aos leitores este importante artigo publicado no ALIDE que lança novas informações sobre o caça Sueco SAAB Gripen NG e suas cartas na manga para o desfecho do programa  FX 2.

Sea Gripen - Gripen Naval

ALIDE encaminhou ao Sr Peter Nilsson, VP de Capacitação Operacional do Gripen na Saab, um conjunto de perguntas visando esclarecer aos nossos leitores, um pouco melhor, sobre o recém anunciado programa Sea Gripen, a versão navalizada do caça sueco, voltada para o uso em navios aeródromos.

A carta abaixo é a tradução para o português do texto integral que recebemos em resposta.

Sr. Salles,

Principalmente em função do fato da Saab AB se encontrar em meio a um processo de RFI (Request for Information – Solicitação de Informações) com o governo indiano eu não terei como responder a todas as suas perguntas a respeito do Programa Sea Gripen. Espero, no entanto, o resto desta carta possa dar a vocês e aos seus leitores novas e interessantes informações.

Antecedentes

A empresa Saab AB tem, em diversas ocasiões, desde o início do programa Gripen,  analisado e discutido internamente a possibilidade de produzirmos uma versão de porta-aviões do nosso avião. Os primeiros destes estudos datam de meados da década de 90. Estas análises foram iniciadas devido ao interesse demonstrado por diversas nações que consideram o Gripen baseado em terra como sua principal alternativa futura em termos de caça e que ou tem, ou ambicionam ter, navios aeródromos em suas esquadras.

O fato do Gripen poder operar desde bases limitadas/improvisadas em trechos retos de rodovias naturalmente contribuiu para isso. Esta “capacidade única” – de poder operar desde pistas curtas e rudimentares naturalmente conduz à questão: “Quanto esforço de reprojeto seria necessária para se reprojetar o Gripen em um verdadeiro avião para porta-aviões?”.

Os requerimentos básicos originais da Força Aérea Sueca visando estas operações nas estradas, são bastante “semelhantes às das operações embarcadas”. Qualidades como: a baixa velocidade de pouso, o grande controle de arfagem e de rolagem, a grande precisão no controle no vôo dentro do `glide slope`, a capacidade de efetuar pousos de alta precisão, a certificação para realização de altas taxas de descida, a estrutura reforçada da fuselagem,etc.  são elementos básicos do projeto desde o seu início. Devemos também adicionar a esta visão as importantes características do Gripen para manutenção simplificada no campo. Exemplos desta simplicidade de manutenção são, a capacidade da troca da turbina em menos de uma hora, mesmo fora da base aérea, e a falta da necessidade de uma fonte externa de eletricidade, que mostram que a criação de um caça de porta-aviões desde o projeto do Gripen é um “salto”muito menor do que seria desde outro modelo qualquer de caça, originalmente baseado em terra…

O Programa Sea Gripen

A decisão da Saab AB lançar este novo programa foi tomada dentro do contexto de que duas de nossas campanhas de vendas em andamento são em países que se encontram, ambos, no início do desenvolvimento da capacitação de aviação baseada em navios-aeródromos, especificamente o Brasil e a Índia. Nós também identificamos mais países que, no futuro, provavelmente, entrarão também nesta arena. Atualmente, ou estes países são forçados a equipar seus NAes com aeronaves de uma geração anterior, ou o grande porte dos novos caças os forçará à aquisição ou, alternativamente, à construção de navios muito maiores que os atuais.

No momento do lançamento do Programa Sea Gripen a  Saab AB não havia recebido ainda nenhum pedido formal nem da Índia nem do Brasil. Nosso processo de vendas/comunicações junto às forças aéreas destes dois países não geraram nenhuma discussão a respeito de aeronaves baseadas em porta-aviões.Se houve algum tipo de discussão interna, ou processo de “benchmarking” entre as Forças Aéreas e as Marinhas, nós não tomamos conhecimento.

No entanto, no dia 10 de dezembro passado, a Saab recebeu um RFI oficial (Request For Information) das Forças Armadas Indianas. De parte da Marinha do Brasil nós não temos ainda, neste momento, nenhum “Request For Information” formal.

Referente às suas perguntas sobre o programa, especificamente: número de pessoas envolvidas, os investimentos realizados e previstos, cronogramas, número de protótipos (test vehicles) ou desenvolvimentos futuros – lamentamos informar que a Saab AB não publica comentários sobre detalhes desta natureza. Nos encontramos neste momento em meio a um processo de RFI na Índia e por isso não podemos abrir nenhum dado ou detalhe abertamente sobre este programa específico. Todos estes dados e detalhes estão protegidos por termos de confidencialidade, conforme exigido pelos indianos. Este tipo de procedimento é comum em todos os programas da Saab, não apenas no caso do Sea Gripen.

Sea Gripen – a aeronave

Com respeito ao novo modelo em estudos a Saab AB, no entanto, já pode confirmar que:

• Sim existe um programa para os estudos e desenvolvimento do Sea Gripen, um novo avião derivado do Gripen NG para operações navais/baseadas em navio aeródromo

• O Sea Gripen está sendo estudado tanto para operações CATOBAR (lançado por catapulta) e STOBAR (lançado com ski-jump). Haverá, obviamente, diferenças em termos de peso máximo de decolagem entre as duas versões. No conceito CATOBAR o Sea Gripen terá o peso máximo de decolagem (MTOW) de 16.500 kg e um peso máximo de pouso de 11.500 kg. No conceito STOBAR os pesos dependerão diretamente do tamanho físico do convoo do navio aeródromo. A grosso modo a carga paga (payload combustível e armamento cairá em 1/3 quando comparada com o modelo CATOBAR. Não haverá nenhuma diferença na capacidade de retorno da aeronave nos dois modelos.

• O Sea Gripen é um programa de desenvolvimento adicional baseado no programa Gripen NG.

• Ainda que a General Electric já tenha planos futuros de crescimento dentro do programa da turbine GE 414 (o chamado EPE – Enhanced Performance Engine – Motor de Desempenho Melhorado) nós não estamos dependendo disso para o desenvolvimento do novo modelo do Gripen neste momento.

• Dentro do programa Sea Gripen nós dispomos de pessoal com experiência de operações embarcadas  tanto na área de engenharia quanto na de pilotagem, em tempo de paz e também de combate.

• Os maiores reprojetos previstos na área técnica serão:

Novos trens de pouso, principal e dianteiro: para resistir às maiores taxas de descida e as forças derivadas da decolagem na catapulta.

Estrutura: será reforçada em algumas áreas, não constituindo-se num projeto completamente novo já que as modificações adicionadas no projeto do Gripen NG diminuitam a extensão do reprojeto caso o Sea Gripen tivesse que ser criado a partir dos atuais Gripens C/D.

Gancho de parada: este será uma versão reprojetada e reforçada da versão já desenvolvida para o gancho de parada emergencial desenvolvido dentro do programa Gripen NG.

“Marinização” da aeronave: este não será um dos maiores problemas, com o devido respeito devido ao ambiente naval, nós hoje já temos requerimentos muito rígidos, de clientes atuais e futuros, no que tange a resistência à corrosão da maresia na versão baseada em terra do Gripen. Estes requerimentos incluem proteção contra borrifos de água salgada e para operações em locais quentes e muito úmidos. Ainda assim, uma grande parte do programa está focada em garantir a alta disponibilidade dos sistemas do Gripen mesmo em operações navais.

No total, o reprojeto deverá adicionar peso à célula, o que dará ao avião um peso vazio entre 7500 e 8000 kg, ou seja, cerca de 400kg de peso extra quando comparado com o Gripen NG

• O Sea Gripen será uma alternativa muito interessante para países com navios aeródromos de menor porte. Sua bem equilibrada relação de peso/tamanho quando comparado com às alternativas bi-motores maiores permitirá a expansão das missões da aviação de caça embarcada de puramente “defesa aérea” na direção de um conceito mais amplo de “operações de cunho estratégico”, sem que seja necessário trocar de navios aeródromos.

• Todos os sensores, aviônicos e armamento que fazem parte do programa Gripen NG serão ofertados no Sea Gripen.

• Devido ao seu porte equilibrado não haverá necessidade de mudanças estruturais maiores, como, asas dobráveis, etc.

Conclusão

O programa Sea Gripen deve ser percebido como um programa de parceria entre a a Saab e um país/países que estejam em busca de uma maior independência nos seus programas de aviação de caça naval.

A Saab AB irá, com suas habilidades de projeto e de design e de engenharia, cooperar juntamente com indústria aeronáutica desenvolvida de seu parceiro/parceiros. Este país parceiro que deseje ter uma marinha com uma esquadra baseada em NAe, irá obter no Sea Gripen sua melhor opção de caça baseado em porta aviões do futuro.

As forças armadas suecas não apresentam demandas próprias para este tipo de aeronave, e por isso  neste momento, não são parceiros do programa Sea Gripen.

O Sea Gripen irá se constituir num desafio para os atuais fabricantes de caças embarcados. A Saab tem o maior respeito pelo tamanho deste desafio da criação de um novo caça naval desde um caça anterior de uso em terra. Neste tipo de atividade já houve várias tentativas frustradas ao longo da história da aviação.

No entanto, o Gripen não é um caça qualquer, e eu desafio qualquer caça existente de porta aviões a conseguir pousar nas mais severas condições climáticas, com neve/chuva e fortes ventos de través, em uma pista padrão de estrada sueca de 17 x 800 metros. O Gripen inclusive já provou exigir menos pista ainda:  9 x 600m, sendo re-armado e reabastecido em menos que dez minutos e  decolando em seguida. Isso, obviamente, feito não apenas uma única vez, para efeitos de exibição. O avião tem que ser projetado desde o início , com desempenho de sistemas embarcados, com um conceito de operações adequado e alta tolerância ao impacto operacional, durante uma vida operacional de trinta anos de operações diurnas nestas condições.

Nós não partimos do zero com o Sea Gripen. Aqui não teremos que alterar em nada a aerodinâmica provada do Gripen, nem os sistemas de controle de voo ou mesmo os aviônicos. Nós já temos uma estrutura de célula robusta, resistente e forte, projetada para um tipo de pouso “parecido” com os de porta-aviões.

Teremos, sim, que robustizar ainda mais os trens de pouso e o gancho de parada.Teremos ainda que reforçar a estrutura em alguns poucos pontos específicos, devido à certificação para uma ainda maior taxa de descida (> 7 m/s ou >20 pés/s) e às maiores forças e trações dos lançamentos na catapulta.

Todos estes desafios não estão sendo menosprezados por nós.

Agora, naturalmente, estes devem ser comparados com o desafio que será  operar um Rafale ou Super Hornet desde o convés de um navio aeródromo do porte do São Paulo. Assim, visto por esta ótica, nossos “desafios”, subitamente, passam a parecer bem menores. Minha impressão é que é apenas uma questão de tempo até que a Marinha do Brasil também perceba isso…

Peter Nilsson Vice President Operational Capabilities, Gripen
Saab AB

Sugestão e colaboração: Konner

Fonte:  Alide


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Vamos lá, dê seu parecer! 







Jobim finaliza análise sobre novos caças

Ministro está lendo relatório técnico e leva parecer a Lula em uma semana

FOTO: Folha Imagem, via Isto é Dinheiro
Apertado ai, Jobim...
FONTE: Estadão
Roberto Godoy
Via: Poder Aéreo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vai apresentar em uma semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva suas conclusões a respeito da escolha F-X2, do novo caça da aviação militar brasileira. Jobim está lendo o relatório técnico entregue a ele no dia 6. Metódico, faz anotações e pede esclarecimentos. Mas não faz comentários, mesmo com interlocutores habituais.

Concorrem, nesta fase final, três caças: o Rafale da francesa Dassault, o Gripen NG, da sueca Saab, e o F-18 Super Hornet, da americana Boeing.

O valor do negócio é estimado entre R$ 7,7 bilhões e R$ 10 bilhões, por um lote inicial de 36 aeronaves. A cifra contempla itens fundamentais, como são suprimentos de componentes e peças, treinamento de pessoal técnico, documentação de manutenção, o conjunto eletrônico, conforme o especificado pela Aeronáutica. Parte do preço abrange as tecnologias que o governo brasileiro exige receber como pré-requisito do contrato.

Embora os três finalistas ofereçam a possibilidade de montagem e produção da encomenda no País, apenas o grupo da França detalhou essa parte da proposta. De acordo com o diretor do consórcio Rafale International, Jean-Marc Merialdo, o programa prevê que os seis primeiros caças sejam fabricados integralmente na França, com participação de especialistas brasileiros. O sétimo avião será montado no Brasil, com partes vindas das unidades industriais da Dassault. Da oitava unidade em diante a nacionalização dos sistemas será crescente “de acordo com a capacidade de atendimento local às necessidades do processo”, diz Merialdo.

O F-X2 não se esgota no fornecimento da frota inicial, mas se estende até prováveis 120 supersônicos. Nesse caso, e prevendo que haverá necessidade de revitalização tecnológica periódica do grupo inicial, as aquisições futuras preveem a produção no País.

O objetivo é deter autonomia na construção de uma aeronave única para a tarefa de superioridade aérea, como a preservação do espaço, e de interdição de operações ilícitas. Na prática, significa que toda a frota de combate da aviação militar será substituída até 2025. A aeronave vai substituir os Mirage 2000C/B ( desativação começa em 2015), os F-5EM (entram em desmobilização ao longo de 2021) e os caças-bombardeiros leves AMX (por volta de 2023).

O projeto de construção de um supercaça de 5ª geração ainda mais avançado que o F-X2 faz parte de um planejamento de longo prazo da Aeronáutica.

NOTA DO BLOG: por um lado, mais do mesmo assunto. Por outro, alguns dados interessantes para se discutir, conforme coloquemos fé nas fontes do articulista: o prazo de uma semana para entrega do parecer ao Presidente, a afirmação de como está sendo procedida a leitura e análise do relatório (o que sugere fonte do Ministério da Defesa, com acesso direto ao Ministro, ou o próprio), e uma ligeira dilatação nos prazos de desativação da atual frota. Quanto a esta última questão (dentre outras que podem ser discutidas), fontes dentro da Força têm dado prazos menos “elásticos” para os editores do Blog, especialmente para os F-2000, embora se diga também que ao menos parte da frota de F-5M teria que iniciar a desativação antes do prazo mencionado no texto. Mas é certo que, havendo fluxo logístico de peças de reposição, pode-se esticar um pouco a operação de um vetor como o F-2000 na FAB, dentro de um limite de horas de voo a não ser extrapolado antes de revisões estruturais de maior monta, o que pode ser conseguido, normalmente, restringindo a quantidade de horas de voo anuais (mas esta é uma das soluções possíveis, outras podem, evidentemente, ser discutidas pelos leitores do Blog).


Nova lei de anistia revolta os ministros militares e Jobim
Fontes: Valor Econômico e

SÃO PAULO – Um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou tensão entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, os comandos militares e o secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.

O documento trata da criação do Programa Nacional dos Direitos Humanos, que voltou a mexer em velhas feridas, uma vez que Vannuchi vem capitaneando há anos a revisão da Lei de Anistia com o objetivo de punir os militares envolvidos em crimes de tortura durante o regime militar.

Dois itens em especial irritaram os militares: a criação da Comissão da Verdade, que investigaria as circunstâncias em que crimes praticados por militares foram cometidos, e a reedição da revisão da Lei de Anistia.

A insatisfação foi tamanha que Jobim e os comandantes Enzo Peri (Exército), Juniti Saito (Aeronáutica) e Júlio Moura Neto (Marinha) teriam enviado, segundo fontes, uma carta coletiva de demissão ao presidente Lula. Para apagar o incêndio, o presidente teria prometido à cúpula militar que revisará o decreto e atrasará o envio do texto ao Congresso. Jobim reuniu-se com Lula na Base Aérea de Brasília no último dia 22 de dezembro, um dia depois do lançamento do plano. No encontro, o ministro relatou a insatisfação das forças militares.

Jobim

Na quarta-feira (30/12), depois de reunir-se com Lula, o ministro da Justiça, Tarso Genro, minimizou a tensão e disse que não há “controvérsia insanável” entre os militares e Paulo Vanucchi. “Não há nenhum tipo de pedido de demissão e nenhuma controvérsia insanável entre Ministério da Defesa e Secretaria de Direitos Humanos. Isso [o presidente Lula] vai resolver com a sua capacidade de mediação na volta das férias”, afirmou. O retorno do presidente está previsto para a segunda-feira, dia 11.

Apesar da negativa, o clima se manteve tenso entre os ministros militares e o governo, por causa do projeto. Dentre os argumentos apresentados pelos militares contra o texto, estaria o fato de que o texto não prevê qualquer punição ou apuração de atos cometidos por guerrilheiros e ativistas políticos contra agentes do Estado.

No capítulo que trata do “Direito à memória e à verdade”, o programa diz que o Brasil ainda processa com dificuldade o resgate do que ocorreu com as vítimas da repressão. “A investigação do passado é fundamental para a construção da cidadania. Estudar o passado, resgatar sua verdade e trazer à tona seus acontecimentos caracterizam uma forma de transmissão de experiência histórica que é essencial para a constituição da memória individual e coletiva”, diz o texto.

O documento lembra ainda que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação que contesta a interpretação de que a Lei de Anistia não permite a punição de militares que atuaram na repressão.

Vannuchi disse que a criação da Comissão da Verdade não é um ato contra as Forças Armadas. “Criar a Comissão da Verdade é a favor das Forças Armadas, que são formadas por oficiais militares das três armas, pessoas dedicadas à pátria, ao serviço público, com sacrifícios pessoais, das suas famílias. Esses oficiais não podem ser misturados a meia dúzia, uma dúzia ou duas dúzias de pessoas que prendiam as opositoras políticas, despiam-nas e praticavam torturas sexuais, que ocultaram cadáveres. É um grande equívoco, e eu tenho certeza de que o ministro da Defesa [Nelson Jobim] sabe disso”, afirmou.

Dilma e Serra

Ofensiva da OAB

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, criticou o ministro Nelson Jobim pela reação ao Plano Nacional de Direitos Humanos. Ele disse que o Brasil não se pode acovardar e que a Lei de Anistia não significa o esquecimento das atrocidades supostamente cometidas. ” O Brasil não pode se acovardar e querer esconder a verdade. Anistia não é amnésia. É preciso conhecer a história para corrigir erros e ressaltar acertos. O povo que não conhece seu passado, sua história, certamente pode voltar a viver tempos tenebrosos e de triste memória como tempos idos e não muito distantes”, afirmou.

Citando o apoio do Brasil à defesa da democracia no Haiti, o presidente da OAB nacional disse que um país que se acovarda ao encarar sua história não pode ser levado a sério.

“Um país que se acovarda diante de sua própria história não pode ser levado a sério. O direito à verdade e à memória garantido pela Constituição não pode ser revogado por pressões ocultas ou daqueles que estão comprometidos com o passado que não se quer ver revelado”, disse Britto. “O Brasil que está no Haiti defendendo a democracia naquele país não pode ser o país que aqui se acovarda.”

A OAB é uma das partes que defendem no STF e no Superior Tribunal Militar (STM) ações que reivindicam a abertura dos arquivos da ditadura e a punição dos responsáveis por tortura.

O presidente Lula pretende contornar o mal-estar causado por um decreto assinado por ele que trata da criação do Programa Nacional dos Direitos Humanos. O texto provocou protesto do ministros militares.

De São Paulo

A ameaça de setores militares de expor o passado “terrorista” da ministra Dilma Rousseff, na campanha eleitoral, é rechaçada pelos demais candidatos a presidente, entre os quais se acha um ex-exilado, o tucano José Serra, e pelo próprio ministro da Defesa, Nelson Jobim. A ministra participou da luta armada contra o regime militar, no fim dos anos 60.

O assunto ressurgiu na última semana de 2009, quando foi noticiado que Jobim ameaçara demitir-se caso a Lei de Anistia fosse reexaminada, como propunha a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos (SDH). A Defesa e a SDH haviam se entendido sobre os termos de um decreto a ser assinado pelo presidente, mas o que foi divulgado na semana do Natal era diferente do combinado.

Jobim procurou Lula e disse que havia assumido o compromisso com os comandantes das três Forças de que não haveria revanchismo contra os militares, mas eles contribuiriam na investigação sobre os desaparecidos do regime militar. O texto do decreto sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos anunciado, segundo Jobim, retirava sua “autoridade” como comandante e o impediria de continuar à frente do cargo. Em momentos diferentes, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica disseram que sairiam junto com o ministro.

Lula havia pedido um texto de consenso para criar a “Comissão da Verdade” que era pedida pela SDH. O texto levado a ele não tinha consenso nem no nome: Jobim sugerira “Comissão da Verdade e da Reconciliação”, como foi feito na África do Sul e deixava subentendido que não haveria “revanchismos” e o reconhecimento da Lei da Anistia. Lula, que passara os dias em que o texto foi preparado empenhado nas negociações da conferência do clima, logo percebeu que não havia consenso algum e pediu tempo a Jobim.

O mais provável é que o presidente, no decreto a ser assinado, procure compor as duas partes, mas manter inalterada a Lei da Anistia. Decisão contrária deve levar à demissão do ministro e da cúpula das Forças Armadas, abrindo uma crise com os militares em pleno ano eleitoral. É tudo o que o governo não quer, no momento em que se acha engajado na eleição de Dilma.

Assunto corriqueiro dos oficiais de pijama, como é chamada a reserva, o passado na guerrilha de ministros de Lula, desta vez, mobilizou até vozes anônimas na ativa, conforme publicaram os jornais. Um dos melhores momentos de Dilma, no governo, deu-se quando ela foi inquirida pelo senador José Agripino (DEM-RN) por ter “mentido” sob tortura. Emocionada, Dilma rebateu: “Me orgulho muito de ter mentido, pois mentir na tortura não é covardia. Aguentar tortura não é fácil, somos muito frágeis. O senhor não imagina o quanto é insuportável a dor. Por ter mentido, salvei companheiros”. (RC).





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