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pelos ares do Tocantins |
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| 1ª
parte |
Por
Roberto Maranhão
Sugestão: E.M.Pinto do Plano Brasil
Fev, 21/2010 |
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O
espaço aéreo
brasileiro
Segundo
o DECEA
– Departamento de Controle do Espaço
Aéreo, órgão subordinado a FAB
–
Força Aérea Brasileira que é parte integrante do
Ministério da Defesa,
responsável pala vigilância e
coordenação do espaço
aéreo, o Brasil possui 22 milhões
de Km² de espaço aéreo sob sua
responsabilidade. Nesse contexto se inclui, além
do território propriamente dito e o mar territorial, as
áreas oceânicas do
Atlântico sul sub jurisdição do Brasil.
Somente
por esses números é possível imaginar
o tamanho da responsabilidade que cai nos
ombros dos militares da Força Aérea brasileira.
Algo como se o Brasil tivesse
que vigiar e controlar o espaço aéreo territorial
equivalente a toda América do Sul.
Imagine
você que, nessa vastidão de espaço,
esta acontecendo agora múltiplas
atividades, tais como: aviões civis saindo ou entrando,
navegando de um ponto a
outro, ensaios de voos, lançamentos de
pára-quedistas, lançamentos de foguetes
e sondas, treinamento de tiros de artilharias e etc. tudo isso sem
contar que é
o DECEA que controla em voo os aviões militares, das bascas
e salvamentos, e os
voos dos helicópteros tanto em grandes centros como
São Paulo e Rio de janeiro,
como a ida e vinda deles das plataformas marítimas.
Para
qualquer país do mundo essa tarefa seria muito
árdua e será necessário um
gerenciamento eficiente que conte com equipamentos de
vigilância e apoio
capazes de prover o órgão de
informações ‘on time’ para
que fosse possível
assegurar um mínimo de segurança aos seus
utilizadores.
Alem
disso, os aviões tem se multiplicado nas ultimas
décadas em velocidade
assustadora. São cada vez maiores e mais rápidos,
portanto transportam maiores
número de pessoas e necessitam de decisão cada
vez mais urgente para atender
suas necessidades.
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O
gerenciamento do
espaço aéreo
Para
o gerenciamento mais efetivo o DECEA subdividiu o espaço
aéreo em FIR – Regiões
de Informações de Voos. São seis as
FIR,
Brasília, Curitiba e Recife alem do
território brasileiro fornece assessoramento ao
Atlântico
sul, Belém além do
seu território oferece assessoramento em parte do
Atlântico norte, Manaus e
Porto Velho limitam-se ao território brasileiro. Veja figura
ao lado.
Até
agora só falamos do controle do espaço
aéreo, some
a isso que o DECEA é também
responsável pela vigilância desse
espaço. Vigiar
entrada e saída de aviões ilegais
que podem transportar contrabando, drogas, foragidos da
justiça
em seus
respectivos países e etc.
Para
uma tarefa desse porte o Brasil conta com uma rede de sistemas de
radares
interligada que são os CINDACTA’s. Os CINDACTA
são
quatro: CINDACTA I Brasília,
CINDACTA II Curitiba, CINDACTA III Recife e o mais recente CINDACTA IV
Manaus.
Esse sistema foi espalhado pelo território brasileiro de tal
forma a propiciar
um acompanhamento mais efetivo nas regiões de maiores fluxos
de
trafego ou onde
a vigilância fosse mais necessária como
é o caso de
Manaus onde as fronteiras
secas escondidas pela floresta amazônica é um
desafio ao
controle.
O
primeiro CINDACTA a entrar em operação foi o de
Brasília no final da década de
1970 e o ultimo foi o de Manaus em 2004, com um intervalo de mais de
trinta
anos entre um e outro. Isso significa que entre o de
Brasília e
o de Manaus
existe uma diferença expressiva em tempo e tecnologias
aplicadas
ao sistema.
Embora os radares sejam em principio, semelhantes, os produzidos nos
anos 70 e
os fabricados hoje, são bastante diferentes. Os atuais
radares
receberam muitas
transformações principalmente agregando sistemas
de
softwares que lhes
propiciaram melhorias que garantem maior eficiência de
varredura
e
confiabilidade de respostas dos sinais.
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O
Radar
Para
os que não conhecem o funcionamento dos radares podemos
compará-los a uma
lanterna na noite escura, ao dirigir seu facho de luz em um objeto
poderá ver
esse objeto que foi iluminado, isso porque seus olhos vêem a
luz refletida do
objeto. Do mesmo modo que a lanterna a antena do radar emite um facho
de ondas
eletromagnéticas que, ao tocarem em um objeto como um
avião, é refletido de
volta para a antena. Por sua vez a antena funciona ora emitindo o facho
e
noutra recebendo de volta o sinal refletido. Quando não tem
aviões ou qualquer
outro objeto no espaço do alcance do radar nada é
recebido de volta. Por outro
lado, ao receber um sinal de retorno positivo pode ser calculado a
direção do
deslocamento do objeto, e saber também, seu tamanho, e
determinar sua altitude
e distancia em que se encontra da antena do radar. Esse tipo de radar e
conhecido como Radar Primário. Os aviões modernos
de combate possuem
equipamentos eletro eletrônicos que permitem ao piloto saber
quando estão sendo
iluminados por esse tipo de radar.
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Radar
Secundário ou
AIS
O
outro tipo de radar é o Radar Secundário ou AIS
- Automatic
Identification System,
que começou ser
utilizado pelos americanos durante o conflito da Coréia. No
avião é instalado
um equipamento que ao ser iluminado emite automaticamente ao radar
primário um
sinal de resposta possibilitando ao operador do radar saber se o
avião era um
amigo ou inimigo. Os ‘transponder’ como
são conhecidos esses equipamentos hoje
em dia, podem gerar uma grande variedade de respostas ao radar
primário que
podem variar desde o tipo de voo que esta sendo realizado, instrumento
ou
visual, até a companhia operadora do avião e uma
infinidade de outras
informações. Podem ser utilizados em navios, por
exemplo, e emitir informações
da carga que esta sendo transportada e seu destino, e por ai vai.
Para
a aviação civil esse equipamento é
utilizado para que o controlador saiba
exatamente quem está sendo observado em sua tela de
monitoramento, junto ao
sinal luminoso de resposta aparece o identificador da aeronave ou do
voo. Por
isso, um único controlador pode assessorar vários
aviões ao mesmo tempo. E
também por causa disso o radar pode ter as duas finalidades,
a de controle do
tráfego aéreo e da vigilância do
espaço aéreo.
Um
avanço nos equipamentos ‘transponder´
foi a sua utilização na
detecção de
outros tráfegos para que o piloto possa determinar os
aviões que estão voando
em sua proximidade. Como ele, o transponder, emite e recebe um sinal
eletromagnético, outros transponder podem receber o seu e
você pode receber os
deles. Foi o que aconteceu no choque entre o Legacy e o Gol em Mato
Grosso, os
pilotos do Legacy tinham o seu transponder desligado e, assim
procedendo,
impediram que a tripulação do Gol de ser alertada
de sua presença e não
evitaram o choque.
No
Brasil, diferente de outras partes do mundo, só existe um
sistema de radar
cumprindo as duas funções, controle e
vigilância num único sistema de radar.
Criticado inicialmente o Brasil obteve em 2001, com a
confusão provocada pelos
controladores civis americanos na demora em acionar o sistema de
vigilância
militar sobre os aviões que fugiam ao seu controle e
terminaram sendo
arremessados contra as torres gêmeas. Os americanos, tempos
depois, vieram
conhecer o sistema único de radares que o Brasil operava e
dele tiraram lições
para serem usadas em seu território.
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Limitações
do radar
Devido
a terra ser redonda, sua superfície também
é, e por causa disso as ondas
eletromagnéticas que viajam em linha reta vão se
afastando da superfície na
medida em que deslocam da antena do radar. Essa região
estreita do espaço,
entre a superfície e o feixe do radar, é
conhecida como Cone de Sombra. Um
objeto se deslocando nessa região não pode ser
visto pelo radar. Quanto maior
for à distância da antena do radar maior
será a faixa do cone de sombra. Isso
pode ser usado por quem não deseja que o radar o veja.
A
distância também é um limitador do
radar, pois na medida em que as ondas
eletromagnéticas se afastam da antena começam a
perder força e se afastam uma
das outras fazendo com que a reflexão seja imprecisa ou
duvidosa a grandes
distâncias até um ponto onde não se
vera mais nada.
O
relevo e outros fenômenos naturais também
influenciam
na varredura do radar, como as montanhas, as
formações meteorológicas e as
precipitações.
As
gotículas de água das
precipitações refletem o sinal dos radares e por
causa
disso eles podem ser utilizados como instrumento
meteorológico. As chuvas podem
ser classificadas conforme sua intensidade se utilizado de softwares
nos
radares, esse é o caso dos radares usados nos
aviões civis, que mostram em
códigos de cores no monitor a intensidade das
precipitações. Nesse caso o radar
só indicara ao piloto as regiões onde
há precipitação, por analogia
reconhece
que junto pode haver outros fenômenos que constituem perigo
ao voo nesses
espaços aéreo marcados pelos radares e desviam
seu curso. O radar não pode
determinar regiões onde haja turbulência ou ventos
fortes, como não foi
possível, eu acho, ao piloto do Airfrance 447 evitar uma
região de intensa
turbulência embora seu avião fosse equipado com um
moderno sistema de radar. Veja o exemplo ao lado.
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Inicio
da utilização
do radar
O
primeiro sistema de radar primário instalado foi montado na
Inglaterra durante a
Segunda Guerra Mundial. As antenas eram fixar e apontavam para o
Continente
Europeu de onde vinha o inimigo. Credita-se ao sistema a vitoria da RAF
sobre a Luftwaffe,
pois, os ingleses sabiam antecipadamente quando o inimigo se aproximava
e colocavam
seus aviões no ar mandando-os ao encontro do inimigo antes
que eles chegassem
aos seus alvos. Alem disso os ingleses podiam economizar
combustível,
equipamentos e homens só os utilizado quando
necessário. Sabiam quando chegavam
e quando partiam, preparando a população civil
para recebê-los. O radar dessa
forma entrava para aviação e sua
utilização de desenvolveu em inúmeras
formas e
até hoje se busca seu aprimoramento.
Embora
o princípio do funcionamento do radar seja o mesmo dessa
época o radar ganhou
grandes avanços tecnológicos ao longo de tempo e
tem sido empregado nas mais
diversas atividades humanas.
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O
radar são os olhos
do Brasil
O
emprego do radar para o controle e vigilância do
espaço aéreo brasileiro é uma
necessidade cada vez mais imperiosa na medida em que tanto o
tráfego normal da
aviação civil cresce quanto cresce as
infiltrações do tráfego ilegal de
contrabandos e armas, e os perigos de conflito entre visinhos adentrar
em nosso
território. Uma ameaça que possa vir pelo
Atlântico não pode ser desprezada,
muito menos as que possam vir pela fronteiras secas do oeste e norte do
Brasil.
Só a Amazônia brasileira possui mais de 9.767 km
de fronteira seca a ser
vigiada, na maior parte dessas divisas o fluxo
diário de
pessoas e veículos não é controlado e
o maior impedimento são os obstáculos
naturais. Veja
no mapa ao lado as fronteiras secas da Amazônia.
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No
final da década de 1980, criado o então projeto
SIVAM – Sistema de Vigilância
da Amazônia, elaborado pela FAB que hoje tem uma parte
importante já
operacional e trabalha em conjunto com o SIPAM – Sistema de
Proteção da
Amazônia um projeto civil que tem seu principal objetivo a
proteção da floresta
e dos povos amazônicos dentro do território
brasileiro.
O
SIVAM tem como finalidade o
monitoramento da Amazônia
Legal (que
compreende a Região
Norte do Brasil,
o estado do Mato
Grosso e
parte do estado do Maranhão).
Para
tanto, foram criados subsistemas de monitoramento com os seguintes
objetivos:
-
Monitoramento
da atividade
aérea -
cuja responsabilidade é do Comando da
Aeronáutica, envolvendo a FIR
Amazônica. Incluem no seu acervo de sensores, radares
bidimensionais e
tridimensionais, bem como a capacidade de integrar
informações de aviões de
alarme aéreo antecipado AEW,
integrados por meio de enlace
de dados.
-
Monitoramento
da região
amazônica -
cuja responsabilidade é da Casa Civil da
Presidência da República,
através do SIPAM. Suas capacidades vão desde o
monitoramento da mata amazônica,
unidades de conservação, meteorologia,
vigilância do espectro eletromagnético,
vigilância terrestre e célula de comando
e controle de
operações.
O
equipamento necessário para a
montagem do sistema foi fornecido pela empresa americana
Raytheon e
pelas
empresas brasileiras Atech e Embraer.
O
SIVAM troca informações com o Sistema
de Proteção da Amazônia – SIPAM e
com o Sistema de Controle do Espaço Aéreo,
trabalhando de maneira
integrada entre si.
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Unidades
do Departamento de Controle do
Espaço Aéreo
O
CINDACTA
IV
- Quarto Centro Integrado de Defesa
Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, com
sede em Manaus, Amazonas, foi o órgão do
Comando da Aeronáutica que recebeu o maior acervo de
equipamentos e sistemas do
SIVAM. Foram atualizados dezesseis destacamentos nas cidades:
São Luís, Macapá,
Belém, Manaus (dois destacamentos), Porto Velho, Rio Branco,
Boa Vista,
Jacareacanga, Imperatriz, Santarém, São Gabriel
da Cachoeira, Tabatinga,
Guajará-mirim, Tefé e Tiriós.
O
projeto também criou novas unidades em Cruzeiro do Sul,
Cachimbo, São Félix do Araguaia, São
Félix do Xingu, Manicoré, Porto
Esperidião, Eurunepé, Sinop e Vilhena.
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Unidades
do Comando-geral de Operações Aéreas
O
2/6 Grupo de Aviação foi o esquadrão
aéreo equipado com as aeronaves R-99A e R-99B,
respectivamente de Alarme Aéreo
Antecipado e Reconhecimento por sensoriamento remoto, recebidas do
SIVAM. Estas
começaram a operar em 2002 e participam de
operações militares, bem como foram
aplicadas na busca do Gol 1907 na serra do Cachimbo em setembro de 2006.
O
1/6 Grupo de Aviação recebeu em 2005
uma aeronave Bandeirante, EMB 110, com um sensor multi-espectral
instalado, com
a função de sensoriamento remoto com
várias aplicações militares e civis.
Além
destas aeronaves, foram entregues
quatro HS-800XP para o Grupo Especial de Proteção
ao Vôo (GEIV), com sede no
Rio de Janeiro, e quatro aeronaves Grand Caravan ao 7º
Esquadrão de Transporte
Aéreo, com sede em Manaus.
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Aos nossos leitores
Nosso
primeiro capítulo se dedicou ao conhecimento do
Espaço
Aéreo Brasileiro, dos organismos montados pelo Governo do
Brasil dedicados a
tarefa de Controle e Vigilância desse espaço, bem
como, os principais
componentes utilizados nessa tarefa. Ao ler essa matéria o
leitor pode ter a idéia
da dimensão dessa problemática e
também tirar antecipadamente uma conclusão de
que tudo esta sob controle ou que não resta nada mais a
fazer. É um engano,
embora o Brasil tenha feito investimentos significativos nessa
área essa tarefa
ainda esta longe de ser concluída.
A
bem da verdade será bom dizer que essa tarefa não
terá fim.
Assim que concluído o que já foi planejado a
realidade já terá mudado e todo o
projeto terá que ser reavaliado. Novos equipamentos
tecnológicos terão que ser
montados e os antigos substituídos, num aprimoramento
contínuo. Essa será a
paga dos brasileiros por possuir um pais continental e com a maior
responsabilidade da America do Sul pela segurança do
continente.
Nosso
segundo capítulo tratará do espaço
aéreo do litoral
brasileiro o que envolverá outros organismos, tanto das
forças armadas como das
organizações civis, e outro equipamentos que
são utilizados nessa tarefa.
De
já, convidamos a você a participar deixando seu
parecer e,
se quiser fazer parte desse estudo, entre em contato pelo nosso email.
contato@aviacaogeraldotocantins.com.br
Obrigado
Até
lá...
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| Nosso
interesse maior é o desenvolvimento da
aviação, em
especial a aviação do Tocantins, atraves da
informação e da educação.
Despertar em
nosso povo uma cultura aeronáutica que prime pela
ética
que deve ser comum aos homens que são dotados de asas. |
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